Manifesto às Nações Amigas
Tradução do documento:
Ao declarar a independência do Brasil, dirigimo-nos às nações amigas para explicar as razões que nos levaram a esta decisão e para pedir sua compreensão e apoio. Durante anos, o Brasil, como parte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, foi tratado injustamente e não pôde desfrutar dos direitos e liberdades que lhe eram devidos. Desde o retorno de Sua Majestade Dom João VI a Portugal, em 1821, o Brasil passou a ser governado de forma despótica, sendo obrigado a obedecer a ordens que iam contra os interesses do povo brasileiro. As cortes de Lisboa não respeitaram os direitos do Brasil e tentaram reduzir nosso país a uma simples colônia, ignorando o progresso e a dignidade conquistados por nossa terra. Apesar dos repetidos apelos para manter a união pacífica e justa dentro do Reino Unido, fomos obrigados a perceber que Portugal insistia em impor um controle autoritário, negando-nos a autonomia e a liberdade que são direito de toda nação soberana. Assim, tornou-se inevitável que tomássemos uma atitude firme em defesa dos interesses do povo brasileiro. Por meio deste manifesto, afirmamos ao mundo que a independência do Brasil é um ato legítimo de autodefesa e justiça. Não buscamos conflito, mas, sim, a paz e a prosperidade para o nosso povo. Desejamos continuar a manter relações amistosas e cordiais com todas as nações que respeitem nossa soberania e independência. Esperamos que os governos e povos amigos compreendam a necessidade dessa mudança e reconheçam o Brasil como um Estado livre e soberano. Estamos abertos ao diálogo e à cooperação para fortalecer os laços de comércio e amizade que beneficiarão a todos. Dado no Rio de Janeiro, no dia 6 de agosto de 1822. Dom Pedro I Príncipe Regente do Brasil